Na última sexta-feira (01), o Museu de Pesca de Santos recebeu o evento “Pescados Sustentáveis: uma experiência gastronômica responsável”, como parte das atividades de abertura da 14ª Semana do Peixe.

Organizado pela Aliança Brasileira pela Pesca Sustentável (ABPS), o jantar foi idealizado para construir uma ligação entre chefs de cozinha, fornecedores e público a fim de chamar a atenção para o consumo de pescado sustentável.

“Abrigar um evento com essa proposta dentro do Museu de Pesca é a forma que encontramos de chamar a atenção das pessoas para a necessidade de escolherem produtos com um valor agregado muito importante, que é o da sustentabilidade”, disse Thaís Moron Machado, diretora do Museu de Pesca e assistente técnica de direção do IP.

Na ocasião, os chefs de cozinha André Ahn, Dario Costa, Eduardo Lascane, Eudes Assis e Felipe Cruz prepararam receitas especiais com pescados para as cerca de 150 pessoas que estiveram presentes.

“A ideia foi trazer produtos cedidos por fornecedores que adotam boas práticas para apresentar ao público geral, mostrando que existe produto sustentável disponível no mercado”, disse Simone Jones, gerente comercial da ONG Seafood Watch e membro da ABPS.

Segundo ela, é preciso mostrar para o consumidor que, muitas vezes, um produto que é barato traz consigo um custo associado, seja ambiental ou social.

Saborosos e sustentáveis

Cada chef deu um toque especial ao seu prato. André Ahn apostou no uso de vieiras, que são moluscos bivalves altamente sustentáveis por não demandarem ração, já que se alimentam de microalgas disponíveis no próprio ambiente. Além disso, por serem animais filtradores, melhoram a qualidade da água.

Dario Costa utilizou a tilápia, proveniente da aquicultura, para preparar um ceviche especial, enquanto Eduardo Lascane levou bacalhau para o público, símbolo de uma história de recuperação de estoque pesqueiro.

A prejereba seca, preparada seguindo uma tradição caiçara, foi a escolha de Eudes Assis. Ficou por conta de Felipe Cruz a preparação de um prato de salmão Verlasso, proveniente de uma pequena produção sustentável no Chile.

 

Pescado sustentável

O conceito de pescado sustentável está relacionado às práticas de manejo, ao respeito aos estoques pesqueiros, ao impacto da pesca sob outras espécies e sob o próprio habitat, incluindo ainda preocupações de âmbito social.

“O pescado sustentável pode ser proveniente tanto da pesca extrativa como da aquicultura”, pontua Cíntia Miyaji, professora do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte) e membro da ABPS.

De acordo com ela, na pesca extrativa leva-se em conta, basicamente, se o estado do estoque daquela espécie é saudável, se não há captura de variedades ameaçadas ou mesmo se a pesca daquele tipo de pescado não afeta outras espécies ameaçadas. “Também é considerado se a pesca não prejudica o meio, o habitat onde o aparato atua ou onde a pesca é efetuada.”

Quanto à aquicultura, a professora destaca que a prevenção aos escapes e a introdução de espécies não nativas, assim como ao uso de químicos e a produção de efluentes contaminantes, são fatores determinantes para uma produção sustentável.

 

Apoio da Secretaria de Agricultura

O jantar foi o primeiro evento ligado à Semana do Peixe no Museu de Pesca. Por ser vinculado ao Instituto de Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, representantes de diversos órgãos estiveram no Museu para prestigiar a abertura.

Omar Cassim, chefe de gabinete da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, explicou que o consumo de pescado é um dos focos da atual gestão. “Este evento é muito significativo nesse sentido e demonstra o novo conceito do Instituto de Pesca, que busca parcerias para incentivar toda a cadeia produtiva da pesca e da aquicultura”, disse.

O espaço também serviu para enfatizar a parceria entre o Instituto de Pesca e a Codeagro (Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios) nas ações durante a Semana do Peixe.

José Valverde Machado Filho, dirigente da Codeagro, ressaltou que a aproximação dos dois órgãos da Pasta será fundamental para o desenvolvimento e a consolidação da cadeia produtiva do pescado no estado de São Paulo.

“Temos seguido a orientação do secretário Arnaldo Jardim e buscado integrar as políticas públicas dos dois órgãos, a fim de alcançar as premissas da pasta ligadas à alimentação saudável e à segurança alimentar”, frisou. Segundo ele, esse trabalho é feito por meio de informação, desmistificando e apresentando os benefícios do consumo de pescado para a sociedade.

Já Luiz Marques da Silva Ayroza, diretor técnico de departamento do Instituto de Pesca, reiterou que a parceria com a Codeagro tem sido essencial para levar informação de qualidade até o público.

“O Instituto de Pesca tem a expertise no desenvolvimento de tecnologias que colaboram para o ganho de produtividade dos produtores, mas também atua em questões que estão ligadas à qualidade do pescado que é oferecido para o consumidor final”, destacou Ayroza.

Para ele, foi muito importante contar com a parceria da Codeagro, que possui uma presença grande nesse público para difundir conhecimento.

 

A Semana do Peixe tem patrocínio e apoio das seguintes empresas e instituições:

Patrocinadoras – Abipesca; Alaska Seafood; CNA; CONEPE; Dempi; Geneseas/Dell Mare; ABRAPES; Conselho Norueguês da Pesca; Opergel; PeixeBR, Nordsee, Frescatto, São Rafael Câmaras Frigoríficas, Copacol, Kanemar, Gomes da Costa, Coqueiro/Pescador e Sipesp. Apoio Institucional – Abrasel; Abras; Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva; Federação de Pesca Esportiva de SP; Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva; Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SP; Ceagesp; Fiesp; Sebrae; Embrapa; Instituto da Pesca e Secretaria de Aquicultura e Pesca/MDIC.

[Crédito imagem: Miguel Schincariol/ GESP]